João 17

Há uns anos uma amiga visitou Israel e, extremamente tocada pelo facto de ter andado por lugares onde Jesus andou e viveu, expressou mais ou menos assim a sua experiência: “Foi como se Jesus se tivesse tornado ainda mais real…”

Na nossa Igreja, o grupo de jovens e adultos que constitui a classe de estudo bíblico dominical de “lá de cima” (“lá de cima” não é o céu, é o 1º andar do edifício…) tem estado a estudar sem pressas nem prazo o Evangelho de João. E este convívio demorado e calmo com o texto e a sua mensagem está a fazer brotar daquelas páginas um Jesus cada vez mais real, que anda e vive onde nós andamos e vivemos. Não compreendemos tudo mas começamos a conseguir vê-lo e ouvi-lo na rua, numa festa, na casa de amigos, sentado à mesa…

Agora tivemos que suspender o nosso encontro. Tínhamos acabado de acompanhar Jesus numa longa conversa íntima com os seus companheiros, cheia de ensinos profundos e promessas extraordinárias sobre o futuro (capítulos 13 a 16). Aproximava-se o tempo da dor, da angústia, da perplexidade, do medo, da aparência de derrota mas o futuro era – é – de paz e alegria e vitória.

…tende bom ânimo, eu venci o mundo.

E eis que, então, Jesus começa a orar em voz alta. Calamo-nos e ouvimos.

Ele começa por orar por si mesmo. Pede glória. A princípio achamos estranho mas logo percebemos – a glória que Jesus pede ao Pai está e é a cruz. A cruz, a ressurreição e a exaltação. E Jesus pede glória não para seu benefício mas para que a glória de Deus seja manifesta e reconhecida pelos homens.
Dali a horas muitos estariam a olhar para Jesus com desdém, outros com pena, outros ainda com desencanto e frustação e talvez ninguém conseguisse ver naquele momento o que a cruz era realmente – um sinal de glória maior e um testemunho de que não houve nenhum limite ao amor de Deus pelos homens. A Ele toda a glória!

Depois Jesus pede pelos seus discípulos, já assustados e confusos com o perigo que pressentiam estar a aproximar-se. E como Jesus amorosamente os coloca nas mãos do Pai, revelando de antemão – e com isso sossegando-os – que a fidelidade iria prevalecer nos seus corações e vidas, não obstante os momentos de pavor e fraqueza que se iriam suceder. Eles eram dele e do Pai!
Que consolo certamente aqueles homens sentiram com as palavras de intercessão do seu Mestre em favor deles: guarda-os no teu amor, misericórdia e graça, como também eu os guardei; guarda-os dos assaltos do Maligno; guarda-os para que sejam um. A unidade dos seus – nada na acção de Deus é sem propósito e nenhum propósito de Deus é menor.

E, finalmente, o olhar de Jesus abre-se confiadamente para o futuro e detém-se nos que viriam a crer no seu nome. De todos esses ele se lembra, a todos inclui na sua prece. Para todos Jesus roga por protecção. Para todos Jesus pede aquilo que nem as nossas maiores e melhores forças atingem: a unidade. A unidade nos tempos de sucesso e de abundância, a unidade nos tempos de adversidade e insegurança, a unidade na ajuda. A unidade sem a qual não há testemunho frutuoso.
E para todos os que crerem no seu nome, Jesus pede também que sejam participantes com ele da Vida gloriosa junto de Deus.

Jesus orou e nós sentimos na sua voz a confiança absoluta de ser atendido pelo Pai. Como devemos estar gratos e aquietados por esta oração!

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