CREMOS

Declaração de Fé Baptista

PARTE I


I – AS ESCRITURAS SAGRADAS

A Bíblia Sagrada, nossa única e toda-suficiente regra de fé e prática, foi escrita por homens divinamente inspirados e é o registo da revelação pessoal de Deus. É um tesouro perfeito de instrução Divina. Tem Deus como autor, a salvação do homem como fim e a verdade, sem mescla de erro, como conteúdo. Revela o plano de Deus para a nossa Salvação e os princípios pelos quais Deus nos há-de julgar. É a autoridade absoluta e o padrão supremo pelo qual toda a conduta humana, as opiniões religiosas e os próprios credos devem ser testados. É também, como revelação de Jesus Cristo, o centro da verdadeira unidade cristã.
(II Timóteo 3:16-17; II Pedro 1:21; II Samuel 23:2; Actos 1:16; Provérbios 30:5-6; João 17:17; Romanos 3:4; Apocalipse 22:18-19; I Cor. 4:3-4; Lucas 10:10, 16; 12:47-48).


II – DEUS

Há somente um Deus vivo e verdadeiro; Ser pessoal infinito, inteligente e espiritual: o Criador, Redentor, Sustentador e legislador do universo, digno do mais puro amor, reverência, adoração e obediência. O Eterno Deus revela-se a nós como Pai, Filho e Espírito Santo, com atributos pessoais distintos, mas sem divisão de natureza, ser ou essência.

1. Deus, o Pai

Deus como Pai, reina com cuidado providencial sobre o Seu universo, as Suas criaturas e o curso da história humana, segundo os propósitos da Sua graça. Ele é todo-poderoso, perfeito em amor e sabedoria. É verdadeiramente Pai para todos os que aceitam Jesus Cristo, seu Filho, como Salvador pessoal.

2. Deus, o Filho

Jesus Cristo é o eterno Filho de Deus. Na Sua encarnação, Ele foi concebido do Espirito Santo e nascido da virgem Maria. Revelou e consumou de forma perfeita a vontade de Deus, tomando sobre si mesmo as exigências e as necessidades da natureza humana e identificando-se completamente com a humanidade que veio remir, embora sem pecado. Honrou a Lei Divina pela Sua obediência pessoal e na Sua morte sobre a cruz providenciou para o homem a expiração dos seus pecados. Ressuscitou com um corpo glorificado e apareceu aos Seus discípulos de forma visível, audível e palpável. Ascendeu ao Céu e é agora exaltado à mão direita de Deus, como o único Mediador, participante da natureza de Deus e do homem, em cuja pessoa se efectua e reconciliação com o Pai. Virá segunda vez em poder e glória para julgar o mundo e consumar a Sua missão redentora. Jesus Cristo habita agora em todos os crentes na qualidade de Senhor vivo e eternamente presente.

3. Deus, o Espírito Santo

O Espírito Santo é o Espírito de Deus. Foi Ele quem inspirou os homens santos de outrora a escrever as Escrituras. Habilita hoje o homem a compreender a verdade através da sua iluminação. Exalta Cristo como Senhor. Convence do pecado, da justiça e do juízo. Convida os homens ao Salvador e efectua a regeneração. Cultiva o carácter cristão, conforta os crentes, habita neles e lhes confere dons espirituais através dos quais servem a Deus na Sua Igreja. Ilumina os crentes e os reveste de poder para a adoração e o serviço da evangelização.
(João 4:24; 15:26; Salmo 83:18; Heb.3:4; Romanos 1:20; Jeremias 1:10; Êxodo 1:11; Isaías 6:3; I Pedro 1.15-16; Apocalipse 4:11; Marcos 12:30; Mateus 10:37; 28:19-20)


III – O HOMEM

O homem foi criado por Deus à Sua imagem, como coroa da Sua criação. Era no principio inocente e sem pecado, sendo dotado de liberdade de escolha. No uso da sua liberdade o homem pecou contra Deus e por transgressão voluntária caiu do seu primitivo estado de santidade, trazendo o pecado sobre toda a raça. A sua posteridade herdou consequentemente uma natureza pecaminosa, de sorte que todos se tornaram transgressores, estando debaixo da condenação.
Só a graça de Deus pode restaurar o homem à Sua santa comunhão e habilitá-lo a cumprir o propósito do seu Criador. A dignidade da pessoa humana é revelada no facto de Deus haver criado o homem à Sua própria imagem e no facto deste ser objecto do Seu infinito amor, a ponto de Cristo morrer para o salvar, apesar de pecador perdido e sem esperança.
(Génesis 1:27,31; 2;16; Eclesiastes 7:29; Actos l7:26; Romanos 5:21;15-19; João 3:6; Salmo 51:5; Efésios 2:3; Ezequiel 18:19-20; Gálatas 3:22).



IV – A SALVAÇÃO

A salvação envolve a redenção do homem total. É oferecida espontânea e gratuitamente a todos os que aceitam Jesus Cristo como Senhor e Salvador pessoal, o qual por decreto do Pai tomou voluntariamente a forma humana, fazendo por Sua morte a expiação completa dos nossos pecados. Num sentido mais amplo, a salvação inclui regeneração, santificação e glorificação.
Regeneração, ou novo nascimento, é a operação da graça de Deus pela qual os crentes se tornam novas criaturas em Cristo. É uma mudança de coração produzida pelo Espírito Santo através da convicção do pecado, à qual o pecador responde em arrependimento para com Deus e fé no Senhor Jesus. O arrependimento e a fé são experiências inseparáveis de graça divina, que dão à vida uma nova direcção. A justificação introduz-nos a um estado de paz e favor que nos asseguram todas as bênçãos necessárias, nesta vida e no além. A justiça perfeita de Cristo é-nos imputada gratuitamente por Deus.
Santificação, é um processo espiritual que começa na regeneração e visa a perfeição do crente, através da presença e do poder do Espírito Santo que nele habita.
Glorificação, é a plenitude da salvação e o bendito estado final dos remidos.
(Efésios 2-.5; 1 João 4:10; I Coríntios 3.5-7; João 3:16; Isaías 53:4-5; Hebreus 7:25; Colossenses 2:9; Efésios 3:8; Romanos 5:1-22,9; 3:24-26; Apocalipse 22:17; Actos 17:30; Marcos 1:15-17; João 3:19;5:40; João3:3,6-7; Apocalipse 7:13-14; Ezequiel 36:26; 1 Pedro 1:22; 1 João 5:1,4,18; Efésios 2:8; Romanos 10:9-1 1; Hebreus 4:14; I Tessalonicenses 4:3;5;:23; Efésios 1:4; 11-12; 6:18; Filipenses 2:12-13; 1 Pedro 2:2).


V – O PROPÓSITO DA GRAÇA DIVINA

A eleição é o propósito da graça de Deus segundo o qual Ele regenera, santifica e glorifica o pecador arrependido e crente. É perfeitamente coerente com a livre escolha do homem, sendo a manifestação por excelência da soberana bondade de Deus, infinitamente livre, sábia, santa e imutável. Todos os verdadeiros crentes estão seguros nas mãos de Deus. Aqueles que Deus aceitou em Cristo e santificou pelo seu Espírito jamais cairão do seu estado de graça, sendo conservados até ao fim.
(II Timóteo 1:8-9; II Tessalonicenses 2:13-14; I Coríntios 1:26-31; 4:7; Romanos 3:27; 8:28,30; I Tessalonicenses 1:4; II Pedro 1:1 0-1 1; Filipenses 3:12; Hebreus 6:1 1; Romanos 8:28; Mateus 6:30-33; Filipenses 1:6, 2:12).


VI – A IGREJA

Uma igreja de Cristo é, segundo o Novo Testamento, um corpo local de crentes baptizados, identificados uns com os outros pela confissão da mesma fé e unidos por um mesmo pacto na comunhão do Evangelho. É uma congregação de crentes baptizados regida pelas leis de Cristo, que observa as Suas ordenanças, pratica os Seus ensinos e exerce os dons, direitos e privilégios de que foi investida pela Palavra Divina, com o fim de espalhar o Evangelho até aos confins da Terra. É uma comunidade autónoma de governo democrático sob a soberania de Jesus Cristo. Os seus oficiais são, de acordo com o Novo Testamento, os pastores e os diáconos. Todos os seus membros têm iguais direitos, privilégios e responsabilidades.
A igreja num sentido geral é, segundo o Novo Testamento, o corpo de Cristo, incluindo todos os remidos de todos os tempos.
(Actos 2:41-42; 13:23; 15:22; I Coríntios 14:12; II Coríntios 8:5; Filipenses 1:1; I Timóteo 3:1).


VII – O BAPTISMO E A CEIA DO SENHOR

O baptismo cristão é a imersão do crente em água, no nome do Pai, Filho e do Espirito Santo. É um acto de obediência que simboliza a sua fé no Salvador crucificado, sepultado e ressuscitado. Representa ainda que o convertido morreu para o pecado, tendo-se verificado o sepultamento da sua velha natureza e a sua ressurreição para uma nova vida em Cristo. Este acto simbólico de testemunho deve preceder a entrada do crente na comunhão da igreja, pois, como ordenança do Senhor, o constitui participante de todos os privilégios de membro e lhe dá acesso à ceia do Senhor.
A ceia do Senhor é igualmente um acto de obediência pelo qual os membros da igreja participam do pão e do vinho, comemorando juntos a morte de Jesus Cristo e apontando para a sua segunda vinda. Esta ordenança da igreja local representa também a nossa comunhão espiritual com Ele, a nossa participação na Sua morte e o testemunho vivo da nossa esperança.
(Actos 2:41-42; 8:36-39; Mateus 3:5-6; 28:19; Gálatas 3:27-28; Romanos 6.-4; Colossenses 2:12; Lucas 22:19-20, Marcos 14:20-26; Mateus 26:27-30; I Coríntios 11:27-30; João 6:35).


VIII – O DIA DO SENHOR

O Domingo, Dia do Senhor e o primeiro da semana, é o dia em que o crente comemora a ressurreição de Cristo descansado das suas actividades seculares. Deve ser consagrado ao exercício do culto, do testemunho e de outras formas de serviço espiritual, tanto público como privado.
(Mateus 28:1; Marcos 16:2; Lucas 24:1; João 20:1, 19; Actos 20:7; I Cor 16:2; Apocalipse 1:10).


IX – O REINO DE DEUS

O reino de Deus inclui a sua soberania geral sobre o universo e sobre todos os homens que espontânea e voluntariamente O reconhecem como Rei e Senhor. Todos os crentes devem orar e esforçar-se para que o reino de Deus venha em plenitude e a Sua vontade seja feita sobre a Terra. A consumação plena do Seu reino aguarda a segunda vinda de Jesus Cristo e o fim da era presente.
(Mateus 3:2; 5:3-6; 6:9-10,33; 18:1-3; 28:19; Marcos 1:14-15; 4:27; Apocalipse 5:1 Romanos 14:17).


X – OS ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS

Deus, no seu devido tempo e a seu modo, conduzirá todas as coisas neste mundo ao seu adequado termo. Jesus Cristo voltará pessoal e visivelmente em glória, de acordo com a Sua promessa. Os mortos ressuscitarão e Cristo julgará todos os homens com rectidão. Aqueles que persistirem na incredulidade e na impenitência receberão no inferno a sua eterna punição. Os salvos fruirão a bem-aventurança eterna em seu corpo ressuscitado e glorificado, e habitarão eternamente no Céu com o Senhor.
(Mateus 25:31-46; Lucas 18:8; 23:42-43; Actos l: 7-l l; João3:36; 12:25- 26; Salmos 10:4; I Pedro 4:7; I Coríntios 6:9-10; 15:50-58; Hebreus 1:10-12; Mateus 13:37-43; Lucas 14:14; Daniel 12:2; Apocalipse 22:1 1; I Tessalonicenses 4:16- 17; II Tessalonicenses 1:6-12; Romanos 2:2-16; I João 4:17; Apocalipse 20).


XI – EVANGELIZAÇÃO E MISSÕES

É dever e privilégio de todas as igrejas e de cada crente em particular, esforçarem-se por fazer discípulos em todas as nações. O novo nascimento do espírito do homem pelo Espírito de Deus faz nascer nele também o amor pelos outros. O esforço missionário é repetida e expressamente ordenado nos ensinos de Jesus, assentado numa necessidade espiritual da vida regenerada. É, pois, dever de todo o filho de Deus procurar ganhar almas para o Salvador através do testemunho pessoal e do uso de todos os meios consentâneos com o Evangelho de Cristo.
(Mateus 28:19-20; Marcos 16:15; Lucas 9:1-6; 10:1; 24:46-48; João 1 5; 16; 1 7:11-20; Actos 1:8;4:33; 14:21-27; I Tessalonicenses 1:6-9; II Timóteo 2:1-13).


XII – MORDOMIA

Deus é a fonte de todas as bênçãos temporais e espirituais. A Ele devemos tudo o que somos e tudo o que possuímos. Temos, por conseguinte, uma divida espiritual para com o mundo, pois somos feitos depositários do Evangelho e despenseiros da graça de Deus. É nossa obrigação servi-lo com o nosso tempo, os nossos talentos, o nosso amor e os nossos bens materiais, devendo reconhecer que todos estes dons nos foram confiados com o fim de os usarmos para a g1ória de Deus e ao serviço do nosso próximo. Ensinam as Escrituras que o crente deve contribuir para a igreja, alegremente e com regularidade, tomando como base o dízimo dos seus rendimentos e cultivando liberalidade na prática de uma mordomia integral, com o alvo de promover o avanço da causa do Redentor sobre a Terra.
(Génesis 14:20; Hebreus 7:1; Génesis 28:20-22; Malaquias 3:7-10; I Coríntios 16:1-2; II Coríntios 8-9).


XIII – COOPERAÇÃO

Reconhecendo que a cooperação é um principio clara- mente expresso nas Escrituras, o povo de Cristo deve assegurá-la da melhor maneira possível, tendo em vista a concretização dos grandes objectivos do Reino de Deus. As organizações de cooperação, embora não tenham autoridade sobre as igrejas nelas associadas, são formadas para despertar, unir e coordenar as actividades que em conjunto, voluntariamente, se propõem empreender. As igrejas devem cooperar umas com as outras no avanço da obra missionária, educacional e beneficente. Unidade cristã, no sentido do Novo Testamento, é harmonia espiritual e cooperação voluntária para os mesmos fins comuns.
(Filipenses 1:5; 4:3; I Coríntios 3:9; II Coríntios 8:23; 11:28; Colossenses 4:11; 1 Tessalonicenses 3:2, III João 8; I Tessalonicenses 1:7-10; Romanos 1:14-15; 15-25-27).


XIV – O CRENTE E A ORDEM SOCIAL

Todo o crente aceita, por imperativo de consciência cristã, a supremacia de Cristo na sua vida e na sociedade e o estabelecimento da justiça entre os homens só podem ser verdadeira e permanentemente proveitosos, quando fundados na regeneração pela graça salvífica de Deus em Jesus Cristo. O crente deve esforçar-se por promover por todos os meios ao seu alcance os princípios da justiça social, a verdade e o amor fraternal. Deve para isso estar pronto a cooperar com todos os homens de boa vontade em todas as causas justas, cuidando sempre de agir no espírito de amor, sem comprometer a ética cristã, procurando ser inteiramente leal a Cristo e à sua Palavra.
(Levítico 19:18; Miqueias 6:8; Isaías 1:16-18; Mateus 19:19; 22:39; Marcos 12:31; Romanos 12-.13-21; 13:8-12; Gálatas 5:14; Tiago 2:8; Salmo 11:7; 33:5; 45:7; Mateus 5:6, 10; 5:39-48; João 13:25).


XV – PAZ E GUERRA

É dever de todo o cristão promover a paz entre todos os homens dentro dos princípios da justiça. Em harmonia com o espírito e os ensinos de Cristo, o crente deve fazer tudo o que estiver ao seu alcance para evitar ou pôr fim à guerra, ciente de que a verdadeira solução para os conflitos entre os homens se encontra no Evangelho. A necessidade suprema do mundo é a aceitação dos ensinos de Cristo em todos os sectores da vida dos homens e das nações e a aplicação prática da sua lei de amor.
(Isaías 2:2-4; 9:6-7; Mateus 5:9; Lucas 1:79; 2:14,29; 10:5; Actos 10:36; Romanos 5:1; Colossenses 1:20; Efésios 4:3; Hebreus 12:14; Romanos 12:18; 14:19; I Coríntios 14:33)


XVI – LIBERDADE RELIGIOSA

Deus é o único Senhor da consciência. Sendo o governo civil uma instituição estabelecida para promover os interesses e o bem-estar da sociedade humana, é nosso dever orar pelas autoridades constituídas e prestar-lhes obediência em todas as coisas que não sejam contrárias à vontade revelada de Deus. Deve haver inteira separação entre a igreja e o estado, devendo este assegurar a cada igreja protecção e inteira liberdade para o exercício da sua missão espiritual. Nenhum grupo eclesiástico ou denominação deve ser favorecido pelo estado, nem a igreja deve depender do poder civil para realizar a sua obra. Uma igreja livre num estado livre, é o ideal cristão, e isso implica a garantia do livre acesso a Deus por parte de todos os homens e o direito a terem e difundirem as suas crenças religiosas, sem qualquer interferência por parte do poder civil.
(Romanos 13:1-7; 14:9-12; Mateus 10:28; 22:21; 23:10; Tito 3:1; I Pedro 2:13; I Timóteo 2:1-8; Actos 4:18-20; 5:29; Apocalipse 19:16; Salmo 2; 72:11).

NOTA: Esta Declaração de Fé foi aprovada pela 41ª Assembleia Geral da Convenção Baptista Portuguesa, em Setembro de 1975



PARTE II

TEMAS DE ÉTICA


1. A FAMÍLIA


1.1. Casamento

O casamento é a base fundamental da família; é o vínculo voluntário e legalmente assumido entre um homem e uma mulher que se amam, constituindo uma união espiritual, psíquica e física. Esta unidade é monogâmica, heterossexual e indissolúvel, segundo o plano de Deus, expresso na Sua Palavra. No pleno gozo de igualdade de valor e dignidade pessoal, cada um dos cônjuges desenvolve todo o seu potencial humano dentro da especificidade de funções de cada um: o homem como líder e a mulher como coadjutora.
(Gn 1:27-28; 2:24; 2:18; Ef 5:22-33; I Co 13).


1.2. Divórcio

A Escritura repudia o divórcio; não o recomenda como solução, recomenda a reconciliação e o perdão entre os cônjuges. Admite-o apenas em condições de excepcionalidade.
(Ml 2:16; Mt 19:8-9; Mt 19:9; I Co 7:10-16).


1.3. Novo Casamento

Como o divórcio, também um outro casamento não está no plano de Deus para a família. São situações de grande excepcionalidade, conforme deliberação consciente e responsável dos principais decisores. Um novo casamento é aceitável no caso do falecimento de um dos cônjuges, contanto que seja no Senhor e admissível no caso da vítima de adultério.
(I Co 7:36-39; Rm 7:1-3; Mc 10:11-12; Mt 19:9; Lc 16:18).


1.4. Casamento de crentes com não crentes

A união conjugal entre crentes e não crentes não tem aprovação divina. Nos casos de união conjugal anterior à conversão de um dos cônjuges em que o marido ou a mulher consentem em coabitar, o crente não deve separar-se do seu cônjuge, pois até pode acontecer o milagre da sua salvação. Se o não crente, por questões religiosas, se quiser separar do seu cônjuge, o crente poderá aceitar o divórcio.
(Dt 7:3-4; Ne 13:23-27; II Co 6:14; I Co 7:12-16).


1.5. Relações Sexuais Extramatrimoniais

O Deus Criador é Deus de ordem e de decência. Para tudo, Deus tem determinado o tempo certo e a sua função. Só quando o homem e a mulher atingirem a capacidade de emancipação dos pais é que se deve concretizar o casamento, iniciando a sua relação sexual responsável e em condições de procriar e educar. A Bíblia reputa como pecado as relações extraconjugais (adultério) e pré-matrimoniais (fornicação).
(Gn 1:28; Pv 1:8; 4:1; 13:1; At 15:20; I Co 5:1; Gl 5:19; Ef 5:3; Jd 7; Hb 13:4).


1.6. Sexo e Sexualidade

Deus criou o homem, concedendo-lhe a prerrogativa de fecundidade, fertilidade e natalidade, permitindo-lhe a multiplicação da espécie humana, povoando e dominando a Terra. Deus não condena o ato sexual em si, mas a prática sexual desgovernada, sem limites e sem princípios divinos. Deus não deixa a sexualidade ao critério de cada um, até mesmo aos casados lhes adverte e aconselha para que nenhum dos cônjuges negue o sexo, antes procedam com consentimento mútuo. A atração física, emocional e o verdadeiro amor no casamento são condições indispensáveis para uma sexualidade abençoada. Todas as práticas sexuais desviadas dos padrões das Escrituras se inscrevem no mundo do abrasamento e das perversões (parafilias), degradantes da vida e da sua dignidade, a saber: prostituição, homossexualidade, pedofilia, pornografia, incesto, violação e bestialidade.
(Gn 1:27-28; Gl 5:19; I Co 7:2-5; I Co 6:15-16,18; Gl 5:19-21; I Ts 4:3; Lv 18:22; 20:10-21; Rm 1:26-27; Lv 20:4-5; Mt 18:6-7; I Tm 1:9-10; Ap 21:8; Dt 27;22; Lv 18:6; 20:17; Dt 22:25; II Sm 13:10-17; Lv 18-23; 20:15-16; Gn 3:21; Pv 6:24-26).


2. ÉTICA DA VIDA


2.1. Aborto

Toda a vida foi criada por Deus. O ser humano foi criado por Ele à Sua imagem e conforme à Sua semelhança. A vida humana começa no ato da concepção visto que a partir desse momento existem de facto, e não apenas em potencial, todas as características genéticas de um ser humano individual plenamente desenvolvido. Esta posição é a que encontramos na Bíblia em todos os textos que falam da vida do feto e que se referem a ele como pessoa. Somos chamados assim a defender a vida e os inocentes. Consideramos o aborto como homicídio.
(Gn 1:27-28; Is 49:1; Êx 21:22-23; Jó 1:21; Sl 139:13-16; Lc 1:15;41-44; Jr 1:4-5; Gn 9:6; Êx 20:13).


2.2. Eutanásia

Deus é o Criador e Senhor de toda a Vida. Ele é aquele que dá e toma a vida. Valorizamos a Vida como presente de Deus do qual somos mordomos e não donos. Na Vida há um propósito divino não somente nos momentos de saúde, prosperidade e conforto, mas também de dor e sofrimento, mesmo quando não o conseguimos identificar. Defendendo a Vida e os mais necessitados, entendemos a importância de dar a doentes terminais uma vida serena e sem dor que lhes permita passar seus últimos dias o mais confortavelmente possível e com dignidade. Em casos de doença terminal com sofrimento e sem esperança de cura, a vida não deverá ser prolongada artificialmente, porque mesmo se houver retirada de algum tratamento médico, a morte se dará por causas naturais e pela doença subjacente. Rejeitamos, no entanto, como ato criminoso de matar, a eutanásia ativa, voluntária ou involuntária de doentes competentes e incompetentes.
(Gn 1:27 e 28; I Sm 2:6; Ec 7:14;8:8; Jó 14:5; Rm 14:7-8; Jó 1:21;2:9-10; Fp 4:12; I Co 4:17; Rm 5:3; Ec 2; Pv 31:6; Mt 25:35-40; Gn 9:6; Êx 20:13).

NOTA: Esta II parte (Temas de Ética) da Declaração de Fé foi aprovada pela 85ª Assembleia Geral Extraordinária da Convenção Baptista Portuguesa, em Novembro de 2015




Pacto das Igrejas Baptistas


Tendo sido levados pelo Espírito Santo a aceitar a Jesus Cristo como único e suficiente Salvador, e batizados, sob profissão de fé, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, decidimo-nos, unânimes, como um corpo em Cristo, firmar, solene e alegremente, na presença de Deus e desta congregação, o seguinte Pacto:

Comprometemo-nos a, auxiliados pelo Espírito Santo, andar sempre unidos no amor cristão; trabalhar para que esta igreja cresça no conhecimento da Palavra, na santidade, no conforto mútuo e na espiritualidade; manter os seus cultos, suas doutrinas, suas ordenanças e sua disciplina; contribuir liberalmente para o sustento do ministério, para as despesas da igreja, para o auxílio dos pobres e para a propagação do evangelho em todas as nações.

Comprometemo-nos, também, a manter uma devoção particular; a evitar e condenar todos os vícios; a educar religiosamente nossos filhos; a procurar a salvação de todo o mundo, a começar pelos nossos parentes, amigos e conhecidos; a ser corretos em nossas transações, fiéis em nossos compromissos, exemplares em nossa conduta e ser diligentes nos trabalhos seculares; evitar a detração, a difamação e a ira, sempre e em tudo visando à expansão do reino do nosso Salvador.

Além disso, comprometemo-nos a ter cuidado uns dos outros; a lembrarmo-nos uns dos outros nas orações; ajudar mutuamente nas enfermidades e necessidades; cultivar relações francas e a delicadeza no trato; estar prontos a perdoar as ofensas, buscando, quando possível, a paz com todos os homens.

Finalmente, nos comprometemos a, quando sairmos desta localidade para outra, nos unirmos a uma outra igreja da mesma fé e ordem, em que possamos observar os princípios da Palavra de Deus e o espírito deste Pacto.

O Senhor nos abençoe e nos proteja para que sejamos fiéis e sinceros até a morte.

Lisboa, 25 de Janeiro de 2014.